O CIRCO E O PALCO
por Carlos Augusto Nazareth

“Há sempre um pouco de circo no coração de toda criança.
Há sempre um pouco de criança no coração de todo adulto
E enquanto houver ressoando alegre e contagiante um riso de
criança
Haverá sempre um grito entusiástico pronto a exlodir:
VIVA O CIRCO !”
in Hoje tem espetáculo “As origens do circo no Brasil”
Roberto Ruiz
O palco é um espaço ao mesmo tempo generoso e severo. Abriga todas as possibilidades, todas as linguagens, desde que o tablado sagrado seja respeitado com ética, competência, dedicação, entrega e talento.
A linguagem do clown, há de cerca de menos de quinze anos tem estado sempre presente na cena carioca, principalmente se falarmos do teatro para crianças. Neste período surgiu o Teatro de Anônimo, as Marias das Graças, os Valdevinos de Oliveira, a Intrépida Trupe que aí já estava há mais tempo e tantos outros talentos individuais, como Luis Carlos Vasconcelos, o palhaço Xuxu,. No entanto vemos muitas vezes esta linguagem nobre, desta arte mais nobre ainda e tradicional ser colocada no palco sem o menor cuidado e por que não dizer, muitas vezes, respeito.
E a linguagem do clown está aí nos ícones – Chaplin, Buster Keaton, O gordo e o Magro, Fred e Carequinha e tantos outros. A eterna discussão entre palhaço e clown é absolutamente estéril. O que há é estudo, treinamento, dedicação e competência – os signficantes, sem seus significados, nada representam.
Assim pensamos em dizer algo sobre o circo, sobre o palhaço e principalmente sobre a dupla Tony e Clóvis, que, segundo Federico Felini, é o verso e reverso do ser humano. Todos somos Tonys e Clóvis, uns predominante Clóvis outros predominante Tonys, mas as duas faces da moeda se constituem em características do ser humano

Tony e Clóvis - a eterna dupla

No circo pode faltar tudo – menos palhaços; circo que não apresenta esse número não é circo!
O público circense dá o nome de palhaço a todos os artistas que pintam o rosto, mas os profissionais circenses chama assim apenas o que pita o rosto com tinta branca, usa ricas vestimentas e traz na cabeça um chapéu. Está sempre pronto a ludibriar o seu parceiro em cena - o cômico da dupla.

CLÓVIS Clóvis é o palhaço branco, sempre pronto a ludirbriar o parceiro, representa a autoridade, o que mando, o que dá ordens, o que segue o estabelecido. Veste-se elegante e ricamente, com sua máscara branca e olhos e boca delineados de negro. O desenho de sua boca funciona como uma assinatura: absolutamente individual.

TONY Tony é o cômico da dupla, o bobo, o que sempre apanha, o eterno perdedor, o ingênuo, o de boa-fé, com quem, na verdade, o público se identifica, é o que se rebela contra o estabelecido - o que usa o nariz vermelho e a maquiagem colorida, que acentua os traços do ator. Suas roupas são largas, desleixadas. Coloridas.

Nesse embate o TONY acaba por supserar o CLÓVIS, fazendo triunfar a pureza sobre a malícia, o bem sobre o mal, a justiça sobre a opressão.
Verso e reverso da mesma medalha – o ser humano – um é a autoridade, a viadade, a estética, o saber, a perfeição, o que manda, o arrogante; o outro – o Tony ou o Augusto – é o institnto, a emoção, o que rompe as regras, o clochard, o vagabundo, o menino.
Oso dois encrnam um mito: a conciliação dos opostos – daí a universalidade do tema, que atinge um nível de comunicação tão profundo quanto o conto de fadas, porque são formas diversas de se falar da essência do ser humano.
A efabulação em torno da história da dupla é a história da criatividade, da evolução, da mudança, tendo sua orgiem na noite dos tempos, passando pela commedia dell’arte, chegando ao Brsil e indo até os circos mais longínquos , de chão de terra batida. No Brasil, os mais foamosos são os “Tonys”Chincharrão, Piolim, Arrelia, Ripolim, Carequinha e seus inseparáveis “Clóvis” Harris, Alcebíades, Fred.
O circo e o palhaço são, anted de tudo, espontaneidade e alegria veradeiras. E é esse sentimento que os atores buscam, em si mesmo,s para que se instaure em cena, o verdadeiro espírito do palhaço = artista ingênuo, verdadeiro, popular, simples, que transforma suas dores, alegrias, habilidades e inabilidades em material de trabalho, expondo-se para fazer rir o próximo e assim tornar mais amena a vida vista através do humor puro e simples do palhaço que todos temos em nós mesmos. .
Trabalhar com essa linguagem para creinças não podemos nos ater a formas e fôrmas. Há que se resgatar o lúdico, o humor, a crítica, o inesperado, a liberdade de se expor que o trabalho do clown exige.
O humor do clown perpassa pelo nonsense, chegando próximo do absurdo, muitas vezes. Amplia as características do ser humano, naquilo que ele tem de mais risível, da mesma forma que o teatro de formas animadas, que a farsa.
Trabalhar com esta linguagem em cena não é vestir uma “roupa de palhaço”, colocar um nariz vermelho e levar tombos. É uma forma absolutamente desrespeitosa de tratar uma arte mais que nobre e tradicional como a palhaçaria. H
Há profissionais competentes, grupos dedicados a esta arte que podem ser consultados e ouvidos em qualquer montagem que se pense em trabalhar com a linguagem do clown. Além de termos que, obrigatoriamente assistir a todos os Chaplins, Gordos e Magros, Buster Keaton, Os três patetas que possamos ter acesso. Ao filme “I Clown de Federico Felini” e a alguma literatura sobre o assunto, como “As origens do circo no Brasil”. Aí sim estaremos trabalhando de forma consciente com uma linguagem, utilizando-a em cena para acresncentar e dar vida e colorido ao texto que –
“rápido, agil e inteligente –assim como eu” – dizia um Clóvis em uma fala - exija como linguagem mais adequada a ele, a linguagem do clown. Seja para adultos ou para crianças